terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Não se preocupe em ~saber~ quem você é, apenas ~seja~.

Às vezes, visto-me como uma garota; outras, como uma mulher. Ajo com a inocência e a manha de uma criança, mas também posso usar da maturidade e malícia de um adulto. Sou brisa, que toca aos outros sem que eles nem sequer notem sua presença em certos momentos. Sou ventania, que muda a paisagem por onde passa com sua ação. Sou sol, radiante e alegre... Sou lua, introvertida e misteriosa. Sou um coração e uma alma, que escolheram esse simples corpo como abrigo e como instrumento para realizar seus desejos. Ele, coração, por vezes insensato, por vezes teimoso, acaba por machucar a si mesmo e a sua companheira, alma, que, no fim, acaba sempre por perdoá-lo, porque sabe que não é de propósito que ele erra, que ele tropeça... É apenas o seu instinto de procurar o que lhe faça bater mais intensamente. A alma, por sua vez, guarda em si a garota, a mulher, a brisa, a ventania, o sol e a lua... E os põe em ação de acordo com as necessidades do coração. Sou mistura de sentimentos, sou um contraste entre a irresponsabilidade e o juízo, entre a pressa e calma... Entre a dor e a alegria. E meus olhos – uns dos grandes amigos de minha alma -, sempre buscam olhar profundamente o que há ao seu redor, em busca de uma alma que possa amigar-se com a sua. Sou o meu passado, o meu presente e meu futuro. A dupla que habita esse corpo tão humanamente sensível é ambiciosa demais para se contentar em viver só o agora, ela quer reviver o passado e fantasiar o futuro. Sou o som e o silêncio, o sonho e o momento. Vivo por vezes mais em meus sonhos, do que na própria realidade. Realidade, esta, que meu coração está começando a aprender como lidar, tentando não causar mais feridas. E, surpreendentemente, acabou por descobrir que depende dele fazer com que essa realidade seja tão ou mais agradável que o próprio sonho, descobriu que deve fazer com que seu robô se mexa e busque o que ele anseia. Sou constante mudança, mas minh’alma recusa-se e suponho que sempre recusará mudar sua essência. Sou medo e sou coragem, sou ousadia e timidez. Porém, raras são as vezes em que essas faces de mim não atuam juntas, é como se fossem complementares. Não sou uma criança, não sou uma garota, nem uma mulher. Não sou e jamais serei nada, pois haverá sempre vestígios de cada um desses estágios em minha personalidade. Muitas pessoas se atordoam com o fato de não saberem quem são... Pois eu, não sei e pretendo não saber. Sou de tudo um pouco e serei sempre o que aquele pequeno grande órgão necessitar. Não sei o que eu quero da vida... Nem espero descobrir o que a vida quer de mim. A vida não deve ser feita de conhecimentos. Conhecimento é algo tão mutável... Se um planeta deixou de ser um, quem poderá nos garantir que amanhã as coisas serão as mesmas que são hoje? Que iremos ser a mesma pessoa, desejar a mesma coisa? Tudo muda. O importante é que ela, a essência de sua alma, permaneça sempre a mesma, guiando-o através das trapalhadas do seu coração e das surras da vida, para que você tenha força de manter sua cabeça erguida e dizer: não desistirei jamais.

Um comentário:

  1. Acho que esse é um dos textos mais lindos que você já escreveu, sério.

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